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Era noite e Marina caminhava de volta para casa. O clima estava abafado, como todos dias daquele mês, mas sua pele estava arrepiada. Os acontecimentos estranhos estavam ficando mais frequentes, luzes do poste apagando, luzes do ônibus piscando, a impressão de que alguém a seguia. Essas estranhezas ocorriam a Mary sempre, mas estavam ficando mais frequentes. Chegando na rua de casa, ela teve a estranha impressão de que estava em um lugar totalmente diferente, ela não reconhecia as casas, os postes, as árvores. Mas essa sensação passou logo. "Pare de imaginar essas bobagens, Marina."

Marina chegou em casa bem, como todos os dias. Mas os acontecimentos não pararam. Às 02:30 da madrugada Marina era acordada por latidos na rua de cachorros, cachorros estes que ela nem sabia que estavam ali! 

Pouco mais tarde, um orelhão tocava alto. Não havia orelhões nas redondezas há muito tempo. Marina voltou a dormir. 

Quando acorda é como se nada de estranho houvesse acontecido. Marina se senta na cama e observa a bagunça de seu quarto. A luz do sol entrando pelas cortinas começa a ficar insuportável, então ela sai da cama e vai tomar banho. "Que estranho, onde estão meus chinelos? Estavam bem aqui." Marina não da importância, esse tipo de sumiço é comum na sua rotina e ela toma banho descalça mesmo. 

Quando Marina sai do banheiro ela não estranha o fato de não ter ninguém em casa, normalmente todos estão fora quando acorda, mas seu pai provavelmente está na loja embaixo de sua casa. 

Marina se prepara para sair de casa, acaricia seus gatos, colocando ração e água para eles. 

Ela está descendo o morro de sua casa e percebe que o dia está quente. Tudo a sua volta parece envolto de pontos brilhantes de luz e nem mesmo distinguir o sol no céu é possível. Ela está se perguntando a quantos graus o clima vai chegar hoje quando percebe que tem um numero incomum de animais em sua rua. Gatos, cachorros, pássaros, todos estão parados em diferentes pontos da rua encarando-a. Marina não se assusta de início, pois os animais não tem expressões ameaçadoras em seus rostos, mas o olhar contínuo começa a deixa-la apavorada e ela volta a caminhar, chegando na loja de seu pai.

Mas não tem ninguém lá. 

De início, Marina fica nervosa porque ela vai se atrasar se seu pai não voltar logo para dar o dinheiro da passagem, e depois de mais ou menos 10min ela mesma pega o dinheiro e sai. Quando sai para a rua, ela olha para cima, e confirma que os animais continuam lá. 

Ao descer para o ponto de ônibus ela checa se o padeiro e sua esposa estão lá, para cumprimenta-los. Eles não estão. 

Quando Marina chega no ponto de ônibus ela se assusta ao perceber que não tem ninguém no ponto. Na verdade, não tem ninguém na rua. Ela confere a extensão dos dois lados da rua à procura de alguém, e percebe que durante todo o dia não viu uma alma viva. 

Marina começa a se preocupar com algo que possa ter acontecido no bairro para atrair a todos e procura nas lojinhas próximas do ponto por alguma informação. Mas não há ninguém lá também. 

Um medo sombrio atinge a espinha de Marina enquanto ela percebe que a rua está cheia de orelhões nos mesmos pontos em que existiam antes. E eles não estão novos, estão tão velhos como poderiam depois de anos de uso.

Ela se senta no ponto de ônibus e tenta se convencer de que está enlouquecendo, "Ora essa, tenho certeza de que não tinha orelhões por aqui". Marina começa a reparar o ar a seu redor, tudo está parado, quase estático, nem mesmo insetos estão voando por perto, ou passeando pelo chão. E os únicos animais que viu, foram aqueles na rua de sua casa. Ela continua tentando acordar, disso que só pode ser um sonho. 

Depois de mais ou menos uma hora, Marina esta com sede e com fome, mas não encontra coragem para sair dali e voltar pra casa, ou ir pra qualquer lugar. Ela está esperando uma mudança qualquer no cenário, algum movimento, alguma vida. Ela começa a ouvir passos leves e se coração se acelera como nunca antes. Ela se pergunta se permanecer na rua, sem qualquer tipo de proteção tinha sido burrice de sua parte. Mas quando os passos viram a esquina, é só um dos cachorros que estavam em sua rua. Ele para próximo a ela, mas não a olha mais. Está alheio, como se estivesse esperando o ônibus, o que ela achou cômico. E antes de se habituar à presença do cachorro, outro chega. E outro. E atrás deste, um gato e de repente, todos os animais estão com ela no ponto de ônibus. E quando o último pássaro pousa perto dela, ela vê o ônibus vindo. Não é o mesmo ônibus que ela pegava sempre, mas ela se alegrou mesmo assim, pois ate que enfim veria alguém e poderia perguntar que merda é essa acontecendo com ela. 

O ônibus demora uma eternidade se aproximando, aparenta estar dirigindo a uma velocidade rápida, mas se aproxima pouco a cada minuto. Marina vai ficando cada vez mais ansiosa, e de repente ela começa a duvidar de que o ônibus é mesmo real. 

Ate que enfim ele começou a se aproximar, parando no ponto. 

Mas quando ela colocou os pés no ônibus e olhou para o motorista, seu corpo gelou, suas articulações paralisaram, todo seu corpo se arrepiou e seus instintos mais profundos a mandaram correr. Marina via com horror que não era uma pessoa que estava dirigindo o ônibus.

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